Conferências
Conferências das 2as Jornadas de Arte e Educação.

Aida Sánchez de Serdio
Universitat Oberta de Catalunya
Reimaginar o comum face à captura da criatividade: desafios para a educação artística
3 de julho, 10h00-11h00
A criatividade apresenta-se, no capitalismo neoliberal, como um recurso essencial ao serviço da inovação, da flexibilidade e da competitividade. A sua centralidade nos discursos educativos revela-se problemática, uma vez que contribui para formar sujeitos capazes de se adaptarem às exigências do mercado: trabalhadores criativos, autónomos e, em última instância, predispostos à autoexploração. A educação artística ocupa um lugar particularmente significativo neste processo, ao constituir-se como um campo privilegiado para o desenvolvimento destas competências, frequentemente desvinculadas de finalidades críticas ou emancipadoras. Face a esta situação, a noção de imaginação permite abrir um deslocamento para um maior potencial político, na medida em que possibilita gerar espaços de crítica, dissidência e articulação de futuros alternativos. No entanto, nenhuma noção é transformadora por si só. O seu potencial depende de uma tomada de posição pedagógica e política que situe a defesa do público, do bem comum e da justiça social como horizontes irrenunciáveis da prática educativa.

Carlos Escaño
Universidade de Sevilha
Educação artística e pós-digitalidade: o fim da revolução digital.
4 de julho, 09h30-10h30
O digital já não pode ser entendido como uma dimensão separada da vida, mas como uma condição material, política, social e afetiva. A pós-digitalidade não designa um depois do digital, mas a sua naturalização na existência quotidiana, agora tensionada pela inteligência artificial e pelos seus limites face à inteligência humana situada e criativa. A partir desta perspetiva, a educação artística reivindica-se como espaço imprescindível de pensamento crítico, sensibilidade estética, inclusão e transformação social. A palestra é um convite a questionar tanto a educação bancária digital como o tecnofilismo acrítico, e defende uma pedagogia situada, ética, esperançosa e emancipadora, capaz de habitar dignamente a crise permanente.
Conferência em espanhol, sem tradução simultânea.

Margarida Louro
FAJúnior // Rede EPA – Educação Pela Arquitetura
A importância da educação pela arquitetura – no ensino do pré-escolar, básico e secundário
3 de julho, 12h00-12h30
Esta comunicação aborda a importância da arquitetura como um recurso pedagógico vital para o ensino pré-escolar, básico e secundário. O foco central reside no facto de a perceção do espaço constituir uma das experiências humanas mais básicas e fundamentais, pelo que o despertar precoce de uma literacia do espaço, sensibilizando os alunos para as dimensões pública e privada do território, se assume como estratégia fundamental na formação de cidadãos mais conscientes e críticos em relação ao ambiente que os envolve. Um pilar fundamental desta estratégia é a capacitação dos educadores. Defende-se que, para fomentar esta literacia nos alunos, os docentes devem ser dotados de competências estruturadas que permitam a integração de temas como a arquitetura, a paisagem, o património e a sustentabilidade nos conteúdos programáticos das suas disciplinas. Estes devem ser assumidos não apenas como conteúdos de saber, mas sobretudo como estratégias de ensino e aquisição de competências multidisciplinares. Nesse sentido, serão apresentadas as diversas ferramentas desenvolvidas pelo Gabinete FAJúnior (Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa) e pela Rede EPA – Educação pela Arquitetura, como um meio integrador de projetos, essencial para que as novas gerações aprendam a compreender e transformar de forma harmoniosa o espaço em que habitam.

Marta Ornelas
Arte Central
Onde acontece a educação artística?
3 de julho, 09h00-09h30
Esta comunicação propõe uma breve reflexão de abertura em torno da pergunta que atravessa as 2as Jornadas de Arte e Educação: onde acontece, afinal, a educação artística? Partindo do tema “Lugares da Educação Artística”, pretende-se problematizar a ideia de que a educação artística se restringe à sala de aula, ao currículo formal ou ao espaço disciplinar das Artes Visuais, reconhecendo-a antes como uma prática plural, situada e em permanente relação com a cultura visual contemporânea. A partir desta perspetiva, convocam-se diferentes modos de pensar e praticar a educação artística: na escola, nos museus, nos centros culturais, nas bibliotecas, no espaço público, nas comunidades, nos ateliês, nos projetos de mediação, nas práticas colaborativas e nos territórios digitais. Entendamos a educação artística como um campo de construção de pensamento crítico, de experimentação e de relação com as narrativas que atravessam a vida quotidiana.

Raquel Ribeiro dos Santos
Programadora cultural
Certezas provisórias: educação artística, participação e responsabilidade institucional
3 de julho, 11h30-12h00
Partindo de uma experiência continuada de programação de projetos artísticos participativos na Culturgest, esta comunicação propõe pensar a educação artística para lá da sala de aula e para lá do serviço educativo entendido como dispositivo de interpretação. A partir da prática institucional, serão revisitadas algumas “certezas provisórias” sobre a relação entre arte, públicos, infância, escola, participação e responsabilidade institucional. Convocando Hannah Arendt e Susan Sontag, interroga-se a mediação quando esta se reduz à explicação da obra, e a participação quando é capturada por lógicas de produção, consumo e experiência. A comunicação defende a mediação institucional como prática estética, cultural e democrática: uma forma de programar comunidades temporárias, redistribuir lugares e imaginar outras formas de estar entre arte, educação e vida pública.

Ricardo Guerreiro Campos, Ana Lopes-Mesquita e Stela Barbieri
Entre territórios: práticas de arte-educação com as infâncias
4 Julho – 11h30-12h30

Sara Barriga Brighenti
Plano Nacional das Artes
A Encruzilhada de Exu
4 de julho, 16h30-17h00
Que lugar ocupa a mediação cultural e artística na escola? E se ela não for uma ponte entre disciplinas, mas antes uma prática de produção cultural capaz de transformar a própria instituição? Inspirada na figura de Exu, divindade das encruzilhadas, da comunicação e da transgressão, esta comunicação propõe pensar a mediação como um gesto de intervenção que habita os espaços de passagem, acolhe o conflito e desafia as lógicas de normalização que estruturam a escola. Através de cinco imagens: a Encruzilhada, a Chama, a Adolescência, a Tatuagem e o Ritual, defende-se a mediação artística como uma prática relacional, situada e política, que produz sentidos, gera dissenso e cria condições para imaginar outras formas de estar, aprender e construir comunidade. Num tempo marcado pelo apagamento da memória, pela aceleração e pela uniformização dos discursos, a mediação na escola emerge como ato de resistência cultural: um trabalho sobre o presente que ativa a imaginação, confere agência aos jovens e abre possibilidades de transformação institucional.

Tharciana Goulart
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
Círculo Cromático Modular: experiências no ensino da cor no contexto brasileiro
4 de julho, 10h30-11h00
Esta comunicação pretende realizar o compartilhamento de experiências pedagógicas, de pesquisa e criação do Programa Permanente de Extensão Estúdio de Pintura Apotheke da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC/Brasil). Aborda-se o processo de elaboração e desenvolvimento do Círculo Cromático Modular, propondo reflexões sobre o ensino contemporâneo da cor no contexto da formação de artistas e professores, bem como do ensino da cor nas escolas. O objeto nasce dos estudos que revisitam as teorias dos mestres da cor, tanto na questão pedagógica quanto de interação e experiência com os fenômenos cromáticos.


